As falas de Eloisa Vitz


CRÍTICA " DOROTÉIA" DO GRUPO GATTU DIREÇÃO ELOISA VITZ

OLHA QUE BOM....SOU COMADRE DO NELSON E O ANTUNES E COMPADRE!!!!!

Esse Tolentino do TAPA e suas crias incansáveis

Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (afonsogentil@aplausobrasil.com)  

 

Foram anos e anos de sucessivas montagens de grandes autores, nossos ou estrangeiros, obedecendo a um padrão estético rigoroso, que une a preocupação, digamos, apolínia do uso da cena, com decidido comprometimento social-político.

Grupo Gattu apresenta <i>Doroteia</i>

Grupo Gattu apresenta Doroteia

 

Antes de ocupar-nos com as montagens de Doroteia , pelo Grupo Gattu. e de O Livro dos Monstros Guardados, pelo Núcleo Experimental, vale lembrar o quanto o teatro paulista deve, qualitativamente, ao diretor (carioca, pois é!) Eduardo Tolentino de Araújo, desde quando o Grupo TAPA (carioca, pois é!) por aqui aportou, sediando-se no Teatro Aliança Francesa.

 

 Se boa parcela do público só tardiamente descobriu o TAPA, só agora lotando as platéias de qualquer canto da cidade, nós, da crítica, sempre estivemos atentos em reconhecer-lhe o mérito, cobrindo-o, em sua já longa trajetória, com incontáveis  troféus.

 A convivência de muitos jovens atores com os métodos conceptivos de Tolentino criou uma nova geração de diretores, conscientes, todos, da total entrega dos seus talentos para atingir a excelência do resultado. Basta lembrar os vigorosos espetáculos engendrados por André Garolli, Denise Weinberg e Brian Penido Ross, em diferentes grupos, aos quais juntam-se os nomes de Zé Henrique de Paula e Eloísa Vitz merecendo a atenção de todos, crítica e público.

      

  

 

<i>O Livro dos Monstros Guardados</i>

O Livro dos Monstros Guardados

 

O ZÉ HENRIQUE DOS MONSTROS

 

Não foi necessária nem meia dúzia de montagens (R&J, Cândida, Senhora dos Afogados e As Troianas-Vozes da Guerra) para se perceber que o teatro paulista ganhou um encenador a caminho da envergadura dos seus mestres (Tolentino e Antunes Filho)

 Em sua mais recente estréia, O Livro dos Monstros Guardados, em temporada no Teatro Imprensa, a criatividade do diretor inunda o palco com sucessivas e impactantes imagens a serviço do grotesco do ser humano, a partir do cenário (dele próprio) composto de simétricos nichos-cloacas, de onde bizarros personagens irão monologar, abusando da escatologia e de estéril niilismo existencial, tão ao gosto de quadrinistas e dos autores do teatro alternativo que se faz ultimamente.

 Zé Henrique consegue, com o auxilio de um afinado elenco (com Otávio Martins e Sandra Corveloni à frente) dar a impressão de que o texto é menos vazio do que realmente é. A trilha de Fernanda Maia, persegue a mesma meta, logrando bons climas musicais.Outro grande trunfo do espetáculo é a narração em off de Guilherme Sant’Ana, elegante e solene.

 

Já dissemos, em outra ocasião que Antunes Filho mantém estreito compadrismo com o pensamento de Nelson Rodrigues, tão viscerais foram todas as encenações de Antunes baseadas no nosso melhor autor.O que marca especialmente esse parentesco intelectual talvez seja o humor, que está o tempo todo subjacente nos diálogos lapidares presentes, principalmente, nos textos urbanos de Nelson, tão agudamente captado pelo festejado encenador.

O ator Marcos Vigani de Vuono está no elenco de <i>Doroteia</i>

O ator Marcos Vigani de Vuono está no elenco de Doroteia

 

ELOISA VITZ, ‘COMADRE’ DE NELSON RODRIGUES

 

 

 

Com Eloísa Vitz, egressa, como dissemos alguns parágrafos atrás, do Grupo TAPA, estamos certamente à frente de uma “comadre” do Nelson das peças mais expressionistas e/ou surrealistas, pela forma inteligente com que traduz em cena os pesadelos psicanalíticos desta Doroteia, assim como os arrebatamentos deliciosamente amorais de Viúva, Porém Honesta, ambos os textos auto-definidos como “farsa irresponsável”, por ela montados.

 No comando do Grupo Gattu (sediado atualmente no simpático teatrinho da Uniban da Avenida Rudge) desde a fundação em 2000, Eloísa se exercitou na direção com obras de Artur Azevedo, Jorge Andrade e Gil Vicente, até o encontro com o humor personalíssimo de Nelson Rodrigues,

 Povoando o claustrofóbico espaço de mulheres condenadas, através gerações, a sentir a “náusea” castradora do desejo sexual, a diretora se utiliza de figuras masculinas (ausentes no texto), silenciosas e carregadas de sensualidade viril, que surgem de todos os desvãos do palco, misturando-se sinuosamente com as mulheres dessa trama de carregadas tintas expressionistas.

 O cuidado da ambientação cênica, que por vezes invade a platéia; os figurinos, que moldam os impulsos das personagens; o uso de grande impacto da luz e dos efeitos especiais; as atuações tecnicamente bem conduzidas (não há que se falar aqui em psicologismo) tanto vocal quanto na expressão corporal( tão apropriadamente  exercitada pelo elenco masculino) fazem desta “Dorotéia” um nervoso mergulho nos mistérios da sexualidade feminina.

 

 O Livro dos Monstros Guardados/Teatro Imprensa (452 lugares)/Rua Jaceguai, 400, Bela Vista/telefone 3241-4203/ 4as.e 5as. às 21 horas/ Ing.  R$ 10, e $5,/estac. próximo/ l6 anos/ até  26/11.

Doroteia/ Teatro Gil Vicente da UNIBAN/Av. Rudge, 325, Campos Elísios, próximo ao Viaduto Rio Branco/ telefone 3618-9014/sábados 2lh e domingos 20h/ Ing. R$30,00 e $15,00/ Censura 16 anos/ até 13/12



Escrito por Eloisa Vitz às 17h21
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Doroteia de Nelson Rodrigues com Grupo Gattu direçao Eloisa Vitz

Olha que matéria legal, flando do Dorotéia , atual menina dos meus olhos........



Escrito por Eloisa Vitz às 15h02
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A estreia ......

Emoção pura ......



Escrito por Eloisa Vitz às 23h16
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Fiquei tão feliz com as críticas do espetáculo, resolvi compartilhar as boas novas com todos...... quem ainda não viu ainda dá tempo!!!!!!!

CRÍTICA DE AFONSO GENTIL
Aplauso Brasil
"Viúva, porém honesta"


Nelson Rodrigues é constantemente assediado por todos os níveis da produção teatral brasileira. Mas, nem sempre encontra equipes à altura dos seus desconcertantes textos, povoados por personagens tão fincados na realidade quanto no onírico, nos desvãos da alma humana escancarados para uma platéia assombrada.



Esta atual montagem de Viúva, Porém Honesta”, um refresco-de-pimenta na carreira do autor, expõe para um público mais amplo – esperamos – o talento de Eloísa Vitz como encenadora de primeira linhagem, herdeira inteligente do apurado senso estético do grupo TAPA, onde participou como atriz de memoráveis (e quais não?) encenações de Eduardo Tolentino de Araújo.(Um parêntesis: curiosamente não vimos a versão já antiga dessa peça, do tempo em que éramos encenador, não deste lado do palco).



Confessamos que essa “ farsa irresponsável”, assim chamada pelo próprio autor, nas mãos hábeis e bem humoradas de Eloiza Vitz e da sua antenada equipe (elenco de indiscutível domínio do timing cômico), conseguiu nos divertir como há muito não nos acontecia numa platéia, sem recorrer às facilidades da chanchada, sempre no limite do amoralismo demolidor da tresloucada trama, jamais resvalando para o deboche boçal ou cafajeste, a que uma equipe despreparada fatalmente sucumbiria.

A porção operária de Eloiza Vitz está na despreocupação de “jogar” a sério com seu talento de atriz-diretora, alheia, ao que parece dado o seu currículo, às lantejoulas da mídia . Assim, o Grupo GATU se cola à melhor face do teatro paulista.
Afonso Gentil afonsogentil@aplausobrasil.com.br

CRÍTICA DIRCEU ALVES - VEJINHA

VIÚVA, PORÉM HONESTA, de Nelson Rodrigues. Escrita em 1957, a irônica comédia diverte ao enfocar um dono de jornal que reúne um médico, um psicanalista e uma cafetina, entre outras figuras, para discutir o problema da filha. De esposa adúltera, ela se tornou uma viúva tão séria que se recusa, inclusive, a se sentar. A eficiente direção de Eloisa Vitz, bem ao clima do dramaturgo, rende bons momentos ao elenco, que traz, entre outros, Daniela Rocha Rosa, Marco Barreto e a própria Eloisa (80min). 14 anos. Estreou em 18/10/2008. Teatro Gil Vicente (147 lugares). Avenida Rudge, 315, Barra Funda, 3618-9014. Sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 30,00. A bilheteria abre uma hora antes. Até 14 de dezembro



Escrito por Eloisa Vitz às 21h07
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 Não resisti e coloquei mais uma da Lenise Pineiro, a peça Viúva, porém honesta de Nelson Rodrigues com a minha direção. Na foto o Marcos, Dr. Santório, eu de Madame Cricri e o Diogo de Diabo da Fonseca inexplecável a quimica teatral.....

Escrito por Eloisa Vitz às 16h03
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Ai que loucura estreamos o "Viúva, porém honesta"  enfim veio a luz e com tantas pessoas queridas do Grupo Gatu, a Beth foi um anjo  e a Lenise uma querida amiga que tive o prazer de reencontrá-la. As fotos no Blog  Cacilda estão demais. Vale a pena conferir..............

Escrito por Eloisa Vitz às 16h00
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Escrito por Eloisa Vitz às 15h16
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IS HE DEAD?

“Is He Dead?,” a previously unproduced play by the long-dead Mark Twain, has at last made its Broadway debut. And for something that’s basically been lying immobile for more than a century, gathering dust in archives, it has a remarkably sprightly step.They include the director Michael Blakemore, the playwright David Ives (who adapted Twain’s script) and an infectiously happy cast, led by the wondrous Norbert Leo Butz, that serves a master class in making a meal out of a profiterole.

Assisti em New York esta comédia deliciosa,  o Lyceum Theatre é lindíssimo e fazia muito tempo que eu não presenciava um elenco tão entrosado, com um tempo de comédia tão perfeito.... Um verdadeiro deleite, quem quiser mais é só entrar no site oficial.....



Escrito por Eloisa Vitz às 15h05
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GRUPO GATU

GATU

 

 

Agradeço de coração todos os atores que participaram da Audição da Barca. É fascinante conhecer tantos atores interessantes....Saber que o teatro continua com gente comprometida com a qualidade e valorizando o trabalho artesal e profundo..... VALEU espero ver a todos em breve beijos dos GATUs

 

 

 



Escrito por Eloisa Vitz às 14h48
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Gatu

É isto aí, Gatu abre suas portas para o mundo.....

Esta experiência está sendo muito emocionante, tanta gente mandando curriculo , tantas pessoas interessantes, o teatro é mesmo uma experiência fantática.....

 



Escrito por Eloisa Vitz às 13h11
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GATU

Escrito por Eloisa Vitz às 11h59
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Os lábios

escancarados,

 a língua timida

 escondeu-se.

Tenho sede da tua boca,

Sussurava. 

O corpo pintado de manchas roxas.

 As flores.

Os sonhos

não teve.

Brutalidade 

 Mãos masculinhas

 machucam

dão

 prazer.

 Cantarolava uma música boba para se ninar.

O líquido entorpecedor

cala a agonia.

 Deseja sorrir

 ser leve,

ser outra.

Dos devaneios.

Estava a beira do abismo e não sabia. 



Escrito por Eloisa Vitz às 01h17
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Alex

Alex apareceu numa tarde ensolarada, puxou sua blusa.

 Ao lado, gemia a arara doente. O dia estava lindo e era bizarro.

Um cheiro ocre.

Tantas desejos nas gaiolas.

 O coração aperta.

 Pensa.

 Não posso chorar.

 A coruja, na estufa a espera para amputar sua asa.

A vida é bruta.

 Difícil encontrar respostas. 

Alex,  é doce,  enfeitiçou a moça.

Apaixonada.

Foi dormir pensando nele.

 E era doce e dolorido o desejo de revê-lo.

O ar infectado de sofrimento.

A liberdade, tolhida, e os olhos aflitos.

A crueldade tem muitas faces.

O amor também.



Escrito por Eloisa Vitz às 00h58
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Humana, tão imperfeita. A alegria viera tão esporadicamente. Os dias lindos derramados. A chuva a noite, e os olhos abertos. Insônia compartilhada. O flagelo somos nós. Eu e você que insistimos em sermos. O amor, a química perfeita, a queda de cabeça na piscina morna, o tempo traçando tramas. Um padre de 90 anos que ri como um menino.

 

 

 Elisabete temia a alegria.

Pensamentos nefastos a invadiam.

 Era destrutiva e sórdida.

Cruel, manipuladora, um mostro.

Elizabete era um mostro admirável.

 Tão tola a pobre desgovernada, tão parva a idiota, tão omissa e desgraçada.

Elizabete era mesma ordinária e safada.

Era nefasta e hedionda, rídicula, insegura, tímida e tinha mau hálito.

Elizabete, a bem da verdade, não prestava.

 Não havia graça naquele ser inócuo, sua voz era aguda e esganiçada, faltava-lhe um dente no meio do seu sorriso marrom.

Para que falar de Elizabete, para que perder tempo.

Elizabete vascila, pérfida, seu olho esbugalhado, suas mãos ásperas, sua pele crua e escamosa.

Elizabete tem modos de bicho. Elizabete é burra.

 Sem alma, sem vontade, mediana e carente.

Está aí, Elizabete para morrer na sua porta.



Escrito por eloisavitz às 07h43
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Pensa em vermelho, a veia que dilatada do pescoço, salta.

 A paz que prometera aportar e não viera e nem mandara recado. A vida sempre este abismo.

 O palco, a fixação suprema.

 Os seres,

 estes que vertem lágrimas infinitas, que amofinam e sofrem.

 Tinha o coração coberto de piedade. Aqueles tantos olhos vertando as águas profundas e a esperança definha. Os queres tantos e todos. O mapa a solução. A água e o desespero. A fragilidadade das almas infinitas. A tristeza profunda revela. O cão que brinca, impassível a violência. As emoções e armadilha.Tenho medo de não ser sempre forte o suficiente. 



Escrito por eloisavitz às 21h34
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